segunda-feira, 9 de agosto de 2010

E a América Latina...

sendo a velha Améria latina:


De Hugo Chávez, outro dia, para Lula:

— Lula, você deixa o governo em poucos meses e pode voltar em quatro anos. Kirchner retornará ao governo da Argentina, e eu... bem, eu estarei sempre aqui de braços abertos pra vocês...*


* Retirado do blog do Ancelmo

Um Brasil amadurecido

Nas eleições de 1989, primeira eleição direta para presidenta da república, depois de 25 anos de ditadura militar, o debate entre os presidenciáveis girou em torno da estabilização econômica, mas diversas vezes vimos, como estratégia, a invasão da vida privada dos candidatos, de forma sensacionalista, explorando um povo descrente com as instituições e desconfiado das pessoas. O ponto alto dessa invasão foi colocar uma ex namorada de Lula na TV dizendo que ele insistiu que ela fizesse um aborto. Resultado: o candidato se desestabilizou, o povo se chocou com a história e o Collor ganhou.

Quatro eleições depois mostra como o povo e as estratégias políticas amadureceram. Nas eleições de 1994, FHC já tinha um filho fora do casamento com uma conhecida jornalista Global. O fato era de conhecimento da imprensa e oposição, mas em momento algum foi explorado pelo seus adversários e pelos grandes veículos de comunicação; Nessas eleições, o vice presidente, José Alencar está as voltas com exame de paternidade; O vice na chapa de Dilma, acabou de assumir um filho fora do casamento.

Nenhum desses casos é prioridade, sequer simples pauta. Isso é um amadurecimento político do país? Ou um acordo silencioso entre a elite política que sabe que muitos têm telhado de vidro? Talvez uma mistura das duas coisas.

Com o avanço tecnológico, a estabilização econômica, o respeito na comunidade internacional e a discussão sobre o meio ambiente não sobra muito tempo para falar que um teve um caso lá ou que outra fez um aborto aqui. No âmbito pessoal todos têm suas vidas, conquistas s fracassos. A discussão tem que ser pautada pela política para que não se caia na armadilha de troca de ofensas como maricotas de vila.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Serra x Farc x Chávez

Serra, como estratégia política, resolveu arrumar um vice para colocar a boca no trombone por ele. Ok. Já falamos sobre isso e sobre a importância regional dessa escolha. O que está em pauta no momento é a estratégia política do usada pelo PSDB, o medo.

Criticar os programas sociais não seria uma estratégia muito inteligente, uma vez que a popularidade de Lula vem dos beneficiados desses programas. Até porque, mesmo sem o Serra criticar, Dilma já avisa que esses programas estão ameaçados. Esperta. Depende da transferência de votos. E se bater em Dilma é uma solução, o tucanato apostou na sua ligação com as Farcs e o narcotráfico.

Esse tipo de susto só cola na cabeça mediana da classe média brasileira. Pode até ser que haja uma ligação entre os movimentos sociais que apóiam as "esquerdas" na América Latina e que isso envolva o narcotráfico, mas qual é a diferença que isso faz na vida da família do interior do Piauí que recebe o bolsa família e que, depois do governo Lula passou a ter luz em casa?

É claro que levantar a discussão é válido; que a sociedade precisa saber que o PT apóia o movimento, apóia ditador, oferece exílio político a um assassino. Temos que ler, discutir e pensar sobre o assunto. Sempre. Sobre qualquer coisa. Mas o que eu quero dizer, é que nesse momento, esse não é o tipo de informação que abale as estruturas de Lula e da campanha de Dilma.

Essa ligação entre os partidos de esquerda e os movimentos sociais na América latina é séria, pois revela uma estratégia de manutenção de poder obscura e tensa que colocaria o PT na berlinda. Colocaria se o Brasil quisesse parar para ouvir. Essa estratégia, portanto, não vai funcionar.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Serra e o vice

Não entendo muito de estratégia política, não mais do que os grandes estrategistas que estão nas campanhas de Serra e Dilma, mas sei dar uma boa analisada.

Serra tentou tudo que podia e não podia para ter um Vice de Minas. Ter um vice Mineiro significa estar muito forte no segundo colégio eleitoral do país. O vice de Dilma é de São Paulo, primeiro colégio eleitoral do país. Serra não foi bem sucedido.

De acordo com pesquisas, o candidato do PSDB vai muito mal no Rio de Janeiro. Sempre. Aliás, o psdb, em geral, vai sempre mal. No Rio, o que cola são candidaturas festivas, que encantam a juventude, não tão mais jovem assim, dourada, sempre dourada, do posto nove. Em que estado sério a candidatura de Heloísa Helena foi levada a sério? Só no Rio, né? Em 2002, auge das festas petistas, Lula teve 95% dos votos da capital. A fraca candidatura de Gabeira levou a cariocada toda para as ruas vestida de verde. O Rio de Janeiro é isso ai, principalmente a capital.

Pensando em seu fraco desempenho e em manter a aliança com o DEM, Serra lembra que pode ter um vice carioca e chama Índio da Costa. Jovem, rico e representante de tudo que é mais atrasado na política desse país.

A estratégia de Serra está certa. Ele foi atrás de um estado importante, que ele não tinha voto e arrumou um vice que vai a maior revista do país e diz que o presidente da república é ligado com o narco tráfico das Farcs. Se é, não é nesse post que esse ponto será levantado, mas só no Rio um cara com esse tipo de approach pode agregar voto.

Agora, temos que aguardar as pesquisas para saber quanto Índio agrega nessa candidatura.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Aham, Dilma, senta lá

Lendo o blog de campanha da Dilma, encontro uma passagem que mostra que a candidata entrou pela luta armada, não contra a ditadura militar em si, mas para ajudar a criar uma sociedade mais justa, pois ela não agüentava ver a pobreza. Essa é a forma mais fofa e romântica de dizer que Dilma estava lutando por uma sociedade comunista.

O que mobilizava a juventude daquela época não era estarmos em uma ditadura. O problema era a ditadura ser de direita. O problema não era nem o "militar", se os militares fossem de esquerda, estava valendo.

É claro, que as condições de temperatura e pressão eram outras naquela época. Existia uma aura de romantismo nas ditaduras de esquerda que motivavam esses jovens a pegar em armas e lutar por uma sociedade mais justa. Acredito que muitos acreditavam realmente nisso, mas tinha uma grande parcela, os dirigentes, as pessoas de peso, que sabiam que, chegando ao poder, os comunistas transformariam o país em uma ditadura de esquerda financiada por Cuba e pela URSS.

Pode ser de esquerda, pode ser de direita, mas é tudo ditadura, que usa a força, a tortura, o silêncio para se perpetuar no poder.

Dilma não era uma menina ingênua, de Minas Gerais, que se encantou com o canto da sereia de um discurso de sociedade mais justa, divisão de bens. Ela sabia exatamente o que acontecia nos países referência. Ela era dirigente, teve acesso a livros, e a alta sociedade intelectual comunista.

O pior, é que esse discurso de defesa de uma sociedade mais justa, de indignação com a pobreza vai colar, porque está casadinho com o todas as políticas sociais feitas nos 8 anos de governo Lula e foram responsáveis por dar 80% de aprovação ao governo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Autoritarismo petista

Está dando o que falar o programa de governe que Dilma assinou e disse que não assinou. Nesse programa, ela defende o controle da imprensa, entre outras esquisitices. Só hoje, o tema foi assunto do editorial da Folha e do O Globo.

Não me surpreende em nada esse tipo de postura da candidata do PT. Dilma sempre foi reconhecida por ser radical, militou ativamente no movimento que queria transformar o país em uma ditadura comunista, aos moldes de Cuba e URSS, regimes esses conhecidos pela censura da imprensa, queima de livros, conteúdo político em livros educacionais infantis.

É totalmente legitimo e absolutamente necessária a imprensa estar alarmada e alarmar os seus leitores, contudo, temos que lembrar que ela voltou atrás, disse que não leu antes de assinar. Isso só significa que ela foi centralizada por alguém que manda mais que ela, ou seja, o Lula e a direção da campanha.

Tanto os dirigentes que realmente mandam no PT quanto o Lula sabem que o caminho anti democrático não é a melhor forma para se manter no poder. A atual conjuntura democrática do mundo e o posicionamento econômico do país não permite mais esse tipo de comportamento e a proliferação de idéia anti democráticas.

Não que Lula, Dirceu e companheiros seja bonzinhos e acreditem na liberdade de imprensa e em uma ditadura plena. Eles simplesmente sabem que no mundo não há mais espaço para qua uma econimia tão importante como o Brasil seja conhecida por crimes políticos e censura. (o caso da China é outro e merece um post a parte)

Mas é sempre bom ficar de olho não sabemos o dia de amanhã

"O PT é o câncer do Brasil"

É com essa frase dita por um amigo de trabalho que eu retorno para a escrita política. Andei afastada por motivos não muito nobres, mas quem se importa, certo? Esse foi um ano de copa, de Nardoni, de Bruno do Flamengo, de muita agitação. Ah, mas 2010 é também ano de eleição precidencial, para governador e para 2 vagas ao senado, por estado. E eu merecia voltar. Estou sentindo falta. Na verdade, tenho tanta coisa para falar que nem sei por onde começar, mas vamo que vamo.

O cenário político anda muito embolado. Dilma, para minha surpresa, empatou com Serra antes de começar a campanha; por fora, roubando votos de setores tradicionais que não acreditam no Serra e de setores mais românticos que ainda acreditam em uma mudança à esquerda e não vêem isso na Dilma, vem Marina Silva (ex seringueira, ex freira, ex doente, ex senadora, e atualmente evangélica)

Essa eleição, na verdade vai definir algumas eleições a frente:

Se Dilma ganhar, Lula comprova que a transferência de voto é possível, dependendo da popularidade do governante, público alvo e promessa de manutenção de políticas sociais. Dilma estar empatada com Serra já nesse momento, mostra que o Brasil não quer mudança e ponto. Está tudo bem como está. Não adianta falarem que a Dilma foi terrorista, que o PT é um partido autoritário, que tende a anti democracia (tudo verdade). Nada disso vai mudar a cabeça de uma família que passou a ter comida na mesa, ou de outra família que viu seu filho ter a chance de entrar na faculdade ou ainda, barões da construção civil que lucraram como nunca nesses últimos 8 anos.

Ao eleger uma figura sem carisma, desconhecida, Lula garante a sua volta em 2015 (depois eu explico essa data em um post chamado "reeleição". Já até escrevi sobre isso aqui,pode mandar vocês procurarem, mas como eu tô legal, vou escrever de novo.

Outro que sai ganhando com a vitória de Dilma é Aécio. Na verdade, ele ganha em qualquer cenário (explico no post reeleição). O popular governador de Minas desistiu sabiamente de fazer uma chapa limpa com Serra já prevendo que não iam ganhar e ele ficaria sem cargo. Concorrendo ao Senado, Aécio garante um cargo para 8 anos (provavelmente será presidente da Casa) e deixa Serra ser derrotado sozinho.

Se Serra for eleito, ele não terá muita escolha a fazer do que manter as políticas feitas pelo Lula, uma vez que, em toda campanha ele vai usar o discurso de manutenção: "o mesmo de forma diferente" e se não cumprir isso, não se elege mais. É mais do que certo de que Serra vai abandonar o discurso de bom administrador. Quem precisa de um bom administrador se pode ter um bom provedor, certo?

Ah, o título desse post foi só uma frase. Não tem nada de tendencioso.